segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Estética - Criatividade

 
Criatividade

 Quando começamos a discutir sobre criatividade, parece sempre que ingressamos num universo um tanto mágico, habitado por seres escolhidos pelos deuses, seres que possuem o dom da criatividade, geralmente na área de artes, que é negado ao comum dos mortais. Chamamos de criativas as pessoas que sabem desenhar, tocam algum instrumento, têm alguma habilidade manual "especial", como pintar camisetas ou ser bom marceneiro; enfim, as que sabem fazer coisas que a maioria das pessoas (principalmente nós) não sabe.

 Será que basta habilidade técnica para ser criativo? Ou será que a criatividade envolve processos mais complexos?
 Vamos começar a discutir esse assunto partindo de alguns significados da palavra criar e de seus derivados criador, criatividade e criativo que constam do dicionário: criar. V. t. d. 1. Dar existência a; tirar do nada. 2. Dar origem a; gerar, formar. 3. Dar principio a; produzir, inventar, imaginar, suscitar.    Criador. Adj. 3. Inventivo, fecundo, criativo . criatividade. £ f 1. Qualidade de criativo. Criativo. Adj. Criador.

 Podemos ver, nesses vocábulos, que a criatividade pressupõe um sujeito criador, isto é, uma pessoa inventiva que produz e dá existência a algum produto que não existia anteriormente. Vemos, também, que imaginar é uma forma de inventar ou criar um produto. Portanto, esse produto da atividade criativa de um sujeito não é, necessariamente, um objeto palpável, mas pode ser uma idéia, uma imagem, uma teoria. Agora estamos prontos para abordar alguns conceitos elaborados por psicólogos que vêm se dedicando à pesquisa na área da criatividade e levantando várias hipóteses sobre as pessoas criativas. Diz Ghiselin que a medida da criatividade de um produto "está na extensão em que ele reestrutura nosso universo de compreensão"(2) ou, segundo Laklen, a medida da criatividade é "a extensão da área da ciência que a contribuição abrange."

Critérios de determinação da criatividade

Podemos notar que as definições de Ghiselin e Laklen medem a criatividade através do critério da abrangência de seus efeitos, isto é, quanto mais um a contribuição (seja ela um objeto ou uma idéia) remexer nossas crenças estabelecidas, quanto mais revolucionar o nosso universo de saber (o que temos como sendo o "certo", o "indiscutível"), mais criativa ela será. Notamos, também, que em todos es ses conceitos já está inserida a idéia do novo. A obra verdadeiramente criativa traz algum tipo de novidade que nos obriga a rever o que já conhecíamos, dando-lhe uma nova organização. Acontece quando exclamamos: "Nossa, nunca tinha percebido isso!". O novo que a obra criativa nos propõe, no entanto, não é gratuito, ou seja, a novidade não aparece só por ser novidade. Podemos, então, dizer que tudo que é criativo é novo, mas nem tudo que é novo é criativo. Explicando melhor: a inovação aparece com relação a um dado problema ou a uma dada situação, solucionando-a ou esclarecendo-a. A inovação surge, geralmente, do remanejo do conhecimento existente que revela insuspeitados parentescos ou semelhanças entre fatos já conhecidos que não pareciam ter nada em comum. Assim, Gutenberg resolveu o problema da impressão ao ver uma prensa de uvas para fazer vinho. Aparentemente, uvas e vinho, de um lado, e papel e letra. de outro, nada tinham em comum, e no entanto foi a partir do procedimento para fazer vinho que Gutenberg pensou em pressionar papel contra tipos molhados de tinta.
 Já temos, pois, mais um critério para medir a criatividade: a inovação, além da abrangência já citada. Não podemos esquecer, no entanto, que a inovação tem de ser relevante, isto é, adequada à situação. Um ato, uma idéia ou um produto é criativo quando é novo, adequado e abrangente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário