O que é Conhecimento?
"Pedimos somente um pouco de ordem para nos proteger do caos. Nada é mais doloroso, mais angustiante do que um pensamento que escapa a si mesmo, ideias que fogem, que desaparecem apenas esboçadas, já corroídas pelo esquecimento ou precipitadas em outras, que também não dominamos"
O trecho acima se refere ao esforço constante que anima o homem a compreender. Diante do caos que não significa vazio, mas desordem procuramos estabelecer semelhanças, diferenças, contiguidades, sucessão no tempo, causalidades, que possibilitem "pôr ordem no caos". Mesmo porque só assim será possível ao homem também agir sobre o mundo e tentar transformá-lo. O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. A apropriação intelectual do objeto supõe que haja regularidade nos acontecimentos do mundo; caso contrário, a consciência cognoscente nunca poderia superar o caos. Por exemplo, Kant diz: "Se o cinábrio [minério de mercúrio] fosse ora vermelho, ora preto, ora leve, ora pesado (...), minha imaginação empírica nunca teria ocasião de receber no pensamento, com a representação) da cor vermelha, o cinábrio pesado".
O conhecimento pode designar o ato de conhecer, enquanto relação que se estabelece entre a consciência que conhece e o mundo conhecido. Mas o conhecimento também se refere ao produto, ao resultado do conteúdo desse ato, ou seja, o saber adquirido e acumulado pelo homem. Na verdade, ninguém inicia o ato de conhecer de uma forma virgem, pois esse ato é simultâneo à transmissão pela educação dos conhecimentos acumulados em uma determinada cultura. No correr dos tempos, a razão humana adquire formas diferentes, dependendo da maneira pela qual o homem entra em contato com o mundo que o cerca. A razão é histórica e vai sendo tecida na trama da existência humana. Então, a capacidade que o homem tem, em determinado momento, de discernir as diferenças e as semelhanças, e de definir as propriedades dos objetos que o rodeiam, estabelece o tipo de racionalidade possível naquela circunstância. (Deleuze e Guattari)
A apreensão que fazemos do mundo não é sempre tematizada, sendo inicialmente pré-reflexiva. E isso vale tanto para o homem das sociedades tribais e para a criança como para nós, no cotidiano da nossa vida. Não é sempre que estamos refletindo sobre o mundo (ainda bem!), e a abordagem que dele fazemos se encontra primeiro no nível da intuição, da experiência vivida.
Se de início o homem precisa de crenças e opiniões prontas (nas formas de mito ou do senso comum), a fim de apaziguar a aflição diante do caos e adquirir segurança para agir, em outro momento é preciso que ele seja capaz de "reintroduzir o caos", criticando as verdades sedimentadas, abrindo fissuras e fendas no "já conhecido", de modo a alcançar novas interpretações da realidade. Todo conhecimento dado tende a esclerosar-se no hábito, nos clichês, no preconceito, na ideologia, na rigidez das "escolas". Esse conhecimento precisa ser revitalizado pela construção de novas teorias (no caso da filosofia e da ciência) e pelo despertar de novas sensibilidades (no caso da arte). Pelo esforço resultante do questionamento, a razão elabora o trabalho de conceituação, que tende a se tornar cada vez mais complexo, geral e abstrato. A ação do homem, inicialmente "colada" ao mundo, é lentamente elucidada pela razão, que permite "viver em pensamento" a situação que ele pretende compreender e transformar. Com isso não estamos dizendo que o pensar humano possa ficar separado do agir (sabemos como essa relação é dialética), mas que o próprio pensamento torna-se objeto do pensamento: instala-se a fase de auto-reflexão e crítica do conhecimento anteriormente recebido.
O conhecimento pode designar o ato de conhecer, enquanto relação que se estabelece entre a consciência que conhece e o mundo conhecido. Mas o conhecimento também se refere ao produto, ao resultado do conteúdo desse ato, ou seja, o saber adquirido e acumulado pelo homem. Na verdade, ninguém inicia o ato de conhecer de uma forma virgem, pois esse ato é simultâneo à transmissão pela educação dos conhecimentos acumulados em uma determinada cultura. No correr dos tempos, a razão humana adquire formas diferentes, dependendo da maneira pela qual o homem entra em contato com o mundo que o cerca. A razão é histórica e vai sendo tecida na trama da existência humana. Então, a capacidade que o homem tem, em determinado momento, de discernir as diferenças e as semelhanças, e de definir as propriedades dos objetos que o rodeiam, estabelece o tipo de racionalidade possível naquela circunstância. (Deleuze e Guattari)
A apreensão que fazemos do mundo não é sempre tematizada, sendo inicialmente pré-reflexiva. E isso vale tanto para o homem das sociedades tribais e para a criança como para nós, no cotidiano da nossa vida. Não é sempre que estamos refletindo sobre o mundo (ainda bem!), e a abordagem que dele fazemos se encontra primeiro no nível da intuição, da experiência vivida.
Se de início o homem precisa de crenças e opiniões prontas (nas formas de mito ou do senso comum), a fim de apaziguar a aflição diante do caos e adquirir segurança para agir, em outro momento é preciso que ele seja capaz de "reintroduzir o caos", criticando as verdades sedimentadas, abrindo fissuras e fendas no "já conhecido", de modo a alcançar novas interpretações da realidade. Todo conhecimento dado tende a esclerosar-se no hábito, nos clichês, no preconceito, na ideologia, na rigidez das "escolas". Esse conhecimento precisa ser revitalizado pela construção de novas teorias (no caso da filosofia e da ciência) e pelo despertar de novas sensibilidades (no caso da arte). Pelo esforço resultante do questionamento, a razão elabora o trabalho de conceituação, que tende a se tornar cada vez mais complexo, geral e abstrato. A ação do homem, inicialmente "colada" ao mundo, é lentamente elucidada pela razão, que permite "viver em pensamento" a situação que ele pretende compreender e transformar. Com isso não estamos dizendo que o pensar humano possa ficar separado do agir (sabemos como essa relação é dialética), mas que o próprio pensamento torna-se objeto do pensamento: instala-se a fase de auto-reflexão e crítica do conhecimento anteriormente recebido.

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