A inteligência concreta
Nos níveis ma is altos da escala zoológica, por exemplo com os mamíferos, as ações deixam de ser exclusivamente resultado de reflexos e instintos, e apresentam uma plasticidade maior, carácterística dos atos inteligentes. Ao contrário da rigidez dos instintos, a resposta ao problema, ou à situação é nova para os quais não há uma programação biológica, é uma resposta inteligente, e como tal é improvisada, pessoal e criativa.
A jovem e o macaco, de Trémois. Por que o comportamento dos simios sempre nos provoca um olhar intrigante? Talvez porque, se os gestos do macaco o fazem assemelhar-se aos homens, ao mesmo tempo percebemos o abismo que separa os animais dos seres humanos, os únicos capazes de consciência de si.
Experiências interessantes foram realizadas pelo psicólogo gestaltista Kõhler nas ilhas Canárias, onde instalou uma colônia de chimpanzés. Um dos experimentos consiste em colocar o animal faminto numa jaula onde são penduradas bananas que o animal não consegue alcançar. O chimpanzé resolve o problema quando puxa um caixote e o coloca sob a fruta a fim de pegá-la. Segundo Kõhler, a solução encontrada pelo chimpanzé não é imediata, mas no momento em que o animal tem um insight (discernimento, "iluminação súbita"), isto é, quando o macaco tem a visão global do campo e estabelece a relação entre o caixote e a fruta. Esses dois elementos, o caixote e a banana, antes separados e independentes, passam a fazer parte de uma totalidade. É como se o animal percebesse uma realidade nova que lhe possibilita uma ação não planejada pela espécie. Portanto, não se trata mais de ação instintiva, de simples reflexo, mas de um ato de inteligência. A inteligência distingue-se do instinto por sua flexibilidade, já que as respostas são diferentes conforme a situação e também por variarem de animal para animal. Tanto é que Sultão, um dos chimpanzés mais inteligentes no experimento de Kõhler, foi o único que fez a proeza de encaixar um bambu em outro para alcançar a fruta. Trata-se, porém, de um tipo de inteligência concreta, porque depende da experiência vivida "aqui e agora". Mesmo quando o animal repete mais rapidamente o teste já aprendido, seu ato não domina o tempo, pois, a cada momento em que é executado, esgota-se no seu movimento. Em outras palavras, o animal não inventa o instrumento, não o aperfeiçoa, nem o conserva para uso posterior. Portanto, o gesto útil não tem sequência e não adquire o significado de uma experiência propriamente dita. Mesmo que alguns animais organizem "sociedades" mais complexas e até aprendam formas de sobrevivência e as ensinem a suas crias, não há nada que se compare às transformações realizadas pelo homem enquanto criador de cultura.
A jovem e o macaco, de Trémois. Por que o comportamento dos simios sempre nos provoca um olhar intrigante? Talvez porque, se os gestos do macaco o fazem assemelhar-se aos homens, ao mesmo tempo percebemos o abismo que separa os animais dos seres humanos, os únicos capazes de consciência de si.
Experiências interessantes foram realizadas pelo psicólogo gestaltista Kõhler nas ilhas Canárias, onde instalou uma colônia de chimpanzés. Um dos experimentos consiste em colocar o animal faminto numa jaula onde são penduradas bananas que o animal não consegue alcançar. O chimpanzé resolve o problema quando puxa um caixote e o coloca sob a fruta a fim de pegá-la. Segundo Kõhler, a solução encontrada pelo chimpanzé não é imediata, mas no momento em que o animal tem um insight (discernimento, "iluminação súbita"), isto é, quando o macaco tem a visão global do campo e estabelece a relação entre o caixote e a fruta. Esses dois elementos, o caixote e a banana, antes separados e independentes, passam a fazer parte de uma totalidade. É como se o animal percebesse uma realidade nova que lhe possibilita uma ação não planejada pela espécie. Portanto, não se trata mais de ação instintiva, de simples reflexo, mas de um ato de inteligência. A inteligência distingue-se do instinto por sua flexibilidade, já que as respostas são diferentes conforme a situação e também por variarem de animal para animal. Tanto é que Sultão, um dos chimpanzés mais inteligentes no experimento de Kõhler, foi o único que fez a proeza de encaixar um bambu em outro para alcançar a fruta. Trata-se, porém, de um tipo de inteligência concreta, porque depende da experiência vivida "aqui e agora". Mesmo quando o animal repete mais rapidamente o teste já aprendido, seu ato não domina o tempo, pois, a cada momento em que é executado, esgota-se no seu movimento. Em outras palavras, o animal não inventa o instrumento, não o aperfeiçoa, nem o conserva para uso posterior. Portanto, o gesto útil não tem sequência e não adquire o significado de uma experiência propriamente dita. Mesmo que alguns animais organizem "sociedades" mais complexas e até aprendam formas de sobrevivência e as ensinem a suas crias, não há nada que se compare às transformações realizadas pelo homem enquanto criador de cultura.

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